Mais um sábado, hoje dia 02 de fevereiro e nossa leitura e conhecimento seguem continuamente.
Já fez sua leitura de hoje? Então lá vai: Gênesis 42, Salmos 33 e Lucas 23. 26-56.
Um fato curioso faz
parte da história de um museu de arte de Viena (Áustria), o Vienna’s Museum of
Fine Arts. Trata-se de um personagem curioso que era costumeiramente conhecido
como “O Faraó”. Esse senhor frequentou o museu por, aproximadamente, trinta
anos, atuando como uma espécie de guia. Sua especialidade era arte egípcia. Ele
aguardava visitantes a fim de lhes apresentar, com informações detalhadas, as
obras egípcias do museu. Seu conhecimento do assunto era tão profundo que poucas
pessoas se deram conta de que ele não tinha qualquer ligação com o próprio
museu. Até mesmo egiptólogos profissionais consultavam-no para dirimir dúvidas
que tinham em relação às obras egípcias e ao próprio Egito.
Contudo, apesar
dos dotes singulares desse senhor, o fato mais curioso só foi conhecido depois
da sua morte: o maior especialista em Egito, de fato, jamais havia ido ao Egito.
Isso espantou muita gente que pensava que aquele homem conhecia o Egito como
ninguém, quando, na verdade, ele conhecia – e muito bem – apenas as informações
registradas sobre o país. Apesar do seu exímio e singular conhecimento de
egiptologia, ele era como um leigo que estuda livros de medicina a ponto de
conhecer a teoria médica melhor que os próprios médicos, mas que nunca fez um
exame físico em um paciente ou lhe aferiu a pressão arterial. A bem da verdade,
“O Faraó” não foi o único a dar a impressão de ser quem não é. Quantas pessoas
não se esforçam para transmitir uma imagem irreal a fim de serem
admiradas?
Por outro lado,
há alguém que, em contraste a essa realidade, é tudo o que diz ser: o Senhor
Deus. As Escrituras atestam que Deus é todo-poderoso (2Co 6.18), conhecedor de todas as
coisas (Sl 139.16) e
soberano (Ef 1.11). Alguém
inigualável que pode fazer tudo que desejar (Sl 135.6) sem que ninguém lhe possa
impedir (Jó 42.2) ou instruir (Is 40.14). Entretanto, esses
atributos têm sido cada vez mais depreciados no mundo ateísta e até mesmo em
igrejas ditas cristãs, visto tratarem-no como se fosse um garçom, exigindo dele
bênçãos ao gosto do freguês. Entretanto, o rei Davi apresenta as credenciais
divinas para os títulos que as Escrituras lhe conferem. O Salmo
33 é um chamado público de louvor a Deus (vv.1-5) e as razões para
tal louvor são apresentadas por meio de quatro credenciais que somente
um Deus ilimitado e onipotente, merecedor de toda adoração, poderia
ter.
A primeira
credencial é a criação do universo (vv.6-9). Davi diz,
no v.6, que a magnífica obra da criação teve como fonte a vontade e a
iniciativa divina: “Pela palavra do Senhor os céus foram feitos e, pelo sopro da
sua boca, todo o seu exército”. A expressão “todo o seu
exército” é uma referência às estrelas do céu (Gn 2.1). Em resumo, o
universo mapeado e até as partes mais longínquas e desconhecidas dos homens
vieram a existir quando Deus as ordenou. Se os céus são obras das mãos do
criador, nosso planeta também é. Nesse aspecto, o salmista recorda
(v.7), pelo relato de Moisés (Gn 1.9,10), de quando Deus fez a
separação entre as águas e a terra seca: “Ele é quem reúne as águas do mar como
se faz em uma represa; quem lança os oceanos em odres”. É perceptível o
desejo do escritor de tornar a imensidão do mar um mero copo d’água diante do
seu criador.
A partir daí, não
é mais necessário versar sobre outros aspectos magníficos da criação como as
montanhas, as plantas, os animais e a diversidade de tudo que existe. Pela
demonstração do poder de Deus diante dos mares – que englobam a maior parte da
superfície do planeta –, o salmista atingiu seu propósito de apresentar tal
credencial. Ele apenas completa a ideia apontando, agora, para o criador como
fonte de toda a existência (v.9): “Pois ele falou e as coisas passaram
a existir; ele ordenou e elas surgiram”.
A segunda é o
controle da história (vv.10-12,16-17). Se o poder dos
mares e o tamanho do universo não são nada comparados ao poder dos decretos de
Deus, o poder político e militar das nações – conceitos mais próximos e
conhecidos dos leitores – também sucumbem diante da onipotência divina
(v.10): “O Senhor frustrou o desígnio das nações; anulou as maquinações
dos povos” . Essa realidade fazia parte da história dos israelitas, tantas
vezes atacados pelas nações ao redor, tantas vezes protegidos pelo Senhor. Eles
aprenderam (v.16), por experiência própria, que “nenhum rei é salvo
pelo poderio militar”. Deus, por sua vez, a despeito da ineficácia dos intentos das nações
e do poder dos seus exércitos, faz cumprir perfeitamente tudo que planejou como
só um Deus ilimitado e soberano pode fazer (v.11): “O desígnio do
Senhor dura para sempre”.
A terceira
credencial é o conhecimento de tudo (vv.13-15). Se
Deus tudo pode, também tudo vê. A falta de limites do Senhor é ampla e abrange
os mais diversos aspectos. Nesse sentido (v.13), Davi afirma que “dos
céus o Senhor observa; ele vê todos os filhos do homem”. Ninguém foge dos
seus olhos penetrantes. Nada passa despercebido por Deus. O v.15, que
completa a ideia inicial, é muito parecido com alguns aspectos expostos no
Salmo 139, visto que diz: “Ele é o formador de cada coração; é o
conhecedor de todas as obras deles”. Por “cada coração” entenda-se “cada homem”. Deus, que
criou a humanidade e planejou a vida de cada ser humano, conhece tudo que cada
um faz, pensa ou sente. Ninguém mais no universo pode apresentar uma credencial
como essa.
A última
credencial é o cuidado dos fiéis (vv.18-22). O motivo
pelo qual Davi escreve o salmo é apresentado, nesse ponto, a fim de produzir
segurança nos servos de Deus e, consequentemente, louvor ao seu nome. Ele afirma
novamente o conhecimento pleno de Deus, mas, dessa vez, trazendo à luz o motivo
do olhar constante do Senhor (v.19): “A fim de livrar a alma deles da
morte e preservar suas vidas durante a fome”. Deve-se notar que a palavra “alma”
nesse texto não tem como intenção se referir ao espírito dos servos de Deus, mas
a eles como pessoas. Significa que Deus cuida de cada um dos que lhe pertencem.
Lembra também o cerco de uma cidade, onde os habitantes são privados de
suprimento e são oprimidos pela fome. É nesse contexto que os israelitas, mais
de uma vez, testemunharam o cuidado que Deus tinha com eles. Por isso mesmo
(v.20) Davi o chama de “nosso auxílio e nosso escudo”.
Deus não é um
charlatão que diz ser quem não é. Não são poucas as credencias que comprovam o
seu caráter e poder para que confiemos nas coisas que sua Palavra nos
ensina e para que esperemos pacientemente pela sua proteção. Não há ninguém a
quem possamos recorrer que nos trate como o Senhor. O salmista também parece
notar que os atributos de Deus não pertencem apenas ao campo da teologia, mas ao
campo das vidas práticas daqueles que o buscam. O que a teologia defende, o
servo de Deus sente e testemunha no seu dia a dia. Assim, a conclusão que Davi
tira dessas verdades não poderia ser outra (v.12): “Feliz a nação cujo
Deus é o Senhor”.
Que mensagem
seria mais apropriada para uma época em que profetas da prosperidade e
milagreiros ditos cristãos clamam para si a autoridade de dar paz e alegria para
quem os segue? Que lição seria mais necessária diante da atitude moderna – ou
pós-moderna – de ignorar a revelação de Deus e de moldá-lo conforme a cobiça
humana? Que exortação seria mais propícia para lembrar a igreja de Deus de que
métodos que anulem a confiança e a obediência ao Senhor são como querer represar
os mares com gravetos?
Que, como o
salmista, nossa confiança esteja sobre aquele que tem todas as credenciais para
ser nosso protetor e que, como resultado dessa realidade, nosso louvor e
adoração só sejam menores que o tamanho e o poder daquele que não pode ser
contido por nada, nem por ninguém.
Que Deus abençoe o final de semana de todos e que desde já, possamos estar nos preparando para o domingo do Senhor. Abraços a todos e deixo abaixo a canção "SOBERANO", na voz de Samuel Mizrahy.
Graciele Teles Lima
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