Primeiro dia de fevereiro e estamos nós aqui, firmes, fortes e inabaláveis, hehe, leitura em dia pessoal, a prova está chegando e não quero saber de nota vermelha, hein?!?
Brincadeiras a parte, segue-se a leitura de hoje: Gênesis 41, Salmos 32 e Lucas 23. 1-25.
Falaremos sobre o Salmo 32, e cá entre nós é fascinante, ... não que as outras passagens bíblicas não sejam, mas falar de perdão por si só já nos deixa mais leves, vivenciar o perdão então, não há explicação.
Um dos grandes
tesouros da literatura mundial é a obra Os miseráveis (diga-se de passagem estréia hoje aqui no Brasil, viram, nosso blog está em dia com a cultura também, hehe), de Victor Hugo,
escrita no século 19. Nela, há um personagem, um ex-condenado chamado Jean
Valjean, que é acolhido por um bispo que o recebe em casa e lhe trata com
dignidade. Em pagamento a tão bondoso tratamento, Valjean rouba alguns talheres
de prata e foge. Algum tempo depois, a polícia vem à casa do bispo, com o ladrão
sob custódia, a fim de conferir a versão de que os utensílios valiosos em seu
poder lhe tinham sido presenteados pelo clérigo. Este, para surpresa do leitor,
confirma o que foi dito por Valjean e lhe diz, diante dos guardas: “Você se
esqueceu de levar os candelabros”.
Davi, o grande
salmista, também foi um homem marcado pelo perdão e benevolência que recebeu.
Mas não o recebeu de outro homem e sim de Deus. O Salmo 32 é um
testemunho de Davi do perdão que recebeu mediante sua confissão de pecados e dos
efeitos que o perdão divino teve sobre ele. Junto com o Salmo 51, o
Salmo 32 é um lembrete e um encorajamento para que os servos de Deus
não se acostumem ou escondam seu pecado, mas confessem-no ao Senhor e o
abandonem a fim de que a comunhão com Deus e tudo que decorre dela seja
restaurado. Há, nesse salmo, pelo menos três restaurações feitas por
Deus aos homens que, contritos, lhe confessam os pecados.
A primeira é a
restauração do bem-estar. Os dois primeiros versículos mostram
a condição do homem que é perdoado por Deus. Segundo Davi, trata-se de um homem
feliz (v.1): “Felizes são aqueles cuja transgressão foi retirada, cujo
pecado foi coberto”. O motivo de tal homem ser bendito é apresentado, na sequência, por
meio da experiência do próprio escritor (vv.3-5). “Bem-estar” é a
última expressão que pode ser aplicada para descrever a condição de Davi
enquanto ele escondia seu pecado. O texto revela que ele vivia aflito. Até mesmo
seu corpo – talvez, devido a sintomas psicossomáticos da culpa que carregava –
sentia os efeitos do seu mau procedimento escondido (v.3): “Quando eu
permaneci em silêncio, os meus ossos se consumiram pelo meu clamor diário”. Esse silêncio
significa ausência de confissão do pecado. Entretanto, se Davi guardou silêncio
sobre o pecado, o próprio pecado, por sua vez, gritava em seu interior e o fazia
sofrer diariamente por evidenciar sua vida tomando um rumo tão distante do que
deveria. Parece que ele chorava e se lamentava “todos os dias” a ponto de sentir seu corpo fraco e debilitado – o que ele
descreve como se seus ossos sofressem um desgaste. É um preço muito alto para
esconder a iniquidade.
Talvez alguém
diga se tratar de uma consciência fraca que sucumbe ao menor sinal de culpa.
Entretanto, Davi oferece um fator externo para o seu mal-estar e pesar
(v.4): “Pois dia e noite a tua mão pesa sobre mim”. A simples consciência da santidade do Senhor,
além da sua disciplina, consumia Davi, não porque Deus seja cruel ou
incompassivo, mas porque Davi relutava em lhe confessar o seu pecado. Aconteceu
assim até que a situação ficou insustentável e Davi deu uma guinada em sua
atitude. Ele conta (v.5): “Confessei a ti o meu pecado”. Diante disso, Deus não respondeu tal confissão com algo do tipo
“agora é tarde”. Na verdade, o salmista foi realmente perdoado, pelo que diz: “E
tu retiraste a culpa do meu pecado”. Pelo jeito, não foi apenas a culpa que Deus levou, mas os
próprios efeitos dela sobre a vida de Davi, fazendo com que, junto com o perdão,
viessem também o alívio e o bem-estar. É terrível andar longe de Deus, mas
voltar à plena comunhão com ele é uma restauração abençoada que se dá pelo
perdão.
A segunda é a
restauração da alegria. Se o perdão retira da vida do homem
contrito o que havia de negativo como a tristeza, ele também produz efeitos
positivos como a alegria. Por isso, no v.7, o salmista afirma: “Tu me
cercas de aclamações de livramento”. Trata-se de uma atitude de produzir
cantos alegres em louvor a Deus por uma obra de libertação – nesse caso, não de
inimigos, mas do pecado. Davi passou da lamúria à exultação. Ele não se sente
mais como um servo ingrato e rebelde, mas como um filho amado pelo Pai e grato
por isso. Seus ossos não se consomem mais. Seu vigor retornou. O que é
consumida, agora, é a tinta usada para escrever novos cânticos de alegria e de
agradecimento a Deus por tê-lo perdoado e restaurado. É o extremo oposto do que
Davi vinha enfrentando diante da relutância em confessar a Deus o mal que
fez.
A terceira é a
restauração do caminho. Os vv.8,9 que parecem vir de
outra fonte, como se outro escritor tivesse participado da composição do salmo.
Aqui é o Senhor quem dirige sua voz ao salmista e não o contrário – um recurso
literário e poético para expressar a atuação de Deus na vida de Davi. Assim, o
Senhor compassivo e perdoador diz ao servo (v.8): “Eu te ensinarei e te guiarei
no caminho em que tu andarás”. Se a ausência
de conhecimento da Palavra de Deus, sem falar na desobediência a ela, é
a razão de o homem se afastar do Senhor e de fazer o que é mau, a instrução
divina é quem promove o processo de santificação revertendo a condição anterior
(Jo 17.17). Esse conceito é expresso várias vezes nas
Escrituras, várias delas pelo próprio rei Davi: “De que maneira poderá
o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra [...]
Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti” (Sl
119.9,11). E o mais surpreendente nesse processo é que a ação de instruir e
guiar, fator fundamental para a santificação da vida do pecador, é uma
iniciativa do próprio Deus. Ele é quem, tomando o servo pela mão, o conduz no
caminho correto dando-lhe como mapa as Escrituras (vejam a importância de lermos e conhecermos mais do nosso Deus, por isso não desistiremos, certo?!?).
Davi, como poucas
pessoas, conhecia os “dois lados da moeda”. Sabia o que é sofrer na rebeldia e
na atitude impenitente. Conhecia também os efeitos restauradores do perdão de
Deus na vida do homem arrependido e contrito de coração. Ele não cala tal
experiência a fim de instruir os leitores a fugirem do erro e a buscarem o
perdão. Em uma postura que revela uma grande sabedoria adquirida ao longo da
vida, ele diz (v.10): “Muito pesar há para o ímpio, mas a misericórdia
cerca aquele que confia no Senhor”. Ele
mostra aos pecadores impenitentes dois caminhos e o faz de modo que fique fácil
– e óbvio – decidir pelo segundo: o da misericórdia. Não há motivos para que
aquele que peca procure desculpas para amainar a consciência sem se curvar
arrependido diante de Deus. Desculpas, como “todos fazem a mesma coisa” ou “Deus
sabe que sou pecador”, somente trazem, para quem as utiliza, “muito pesar”. Não
é algo que compense ou que faça o homem feliz.
Diante de tanta
experiência e sabedoria do salmista e de tanto favor e misericórdia do Senhor,
chega a ser uma grande tolice sofrer os danos de reter a confissão de pecados e
de permanecer no mal. É grande insensatez sofrer as perdas dessa condição
enquanto se deixa de lado a restauração plena que há no perdão que Deus concede
aos seus. Não há razão para o cristão passar por isso sem voltar atrás, para os
braços do Senhor. Se um personagem fictício de um livro muda o rumo da sua vida
ao ter “figuradamente” sua alma comprada para o bem, quanto mais os servos de
Deus que foram, em realidade, comprados por Cristo a custo do seu sangue (At
20.28) para lhe pertencerem para sempre. Que a nossa luta seja contra o
pecado e contra a dureza do coração que teima em não se arrepender! Que o nosso
prêmio seja o perdão, a restauração e a comunhão com aquele que nos ama de um
modo incomparável! E que a nossa motivação para prosseguir seja o sacrifício e o
exemplo do nosso santo Mestre a quem servimos!
Hoje pra fixarmos bem este salmo, nada melhor que deixá-lo ser cantado, "Enquanto eu Calei", este cântico é antigo, tradicional, mas tão verdadeiro e puro, espero que gostem.
Forte abraço e abençoada sexta-feira a todos!
Forte abraço e abençoada sexta-feira a todos!
Graciele Teles Lima

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