Mas intimidade com o Pai, inclue também ler a Sua Palavra, e segue então o nosso acompanhamento diário.
Gênesis 43, Salmos 34 e Lucas 24.1-12.
Nossa devocional de hoje aborda o Salmo 34, segue abaixo:
Sempre
gostei muito de
bichos. Durante toda minha vida convivi com as mais diversas espécies de
animais. Apesar do meu gosto especial por gatos, pássaros e peixes, nenhum deles
se compara ao meu gosto pelos cães. Sabe, existe algo que me surpreende todas as vezes em que penso nisso: a
amizade que os cães mantêm com seus donos!
Fazem de tudo para agradar e para estar sempre por perto dos donos, eles protegem, fazem companhia o tempo todo.
Fazem de tudo para agradar e para estar sempre por perto dos donos, eles protegem, fazem companhia o tempo todo.
Por outro lado, nós os alimentamos, damos banho, zelamos pela sua saúde e procuramos
passar tempo com eles. Nesses momentos, tenho a impressão de fazê-los muito feliz.
No final das contas, é um ótimo relacionamento, bom para ambas as partes. Eu
chamaria tal convivência de “relacionamento de duas vias”, pois cada um supre
necessidades do outro.
Há um outro tipo
de relacionamento bilateral que supera qualquer outro e é, de fato, inigualável:
o relacionamento entre Deus e seus servos. Uma diferença marcante desse
relacionamento é que Deus não tem qualquer necessidade a ser suprida pelos
homens. Se ele se relaciona conosco, não é porque precise de nós, mas porque
decidiu fazê-lo. Apesar disso, como um relacionamento bilateral, está presente a
atuação de cada parte conforme suas responsabilidades e capacidades. O que não
pode – ou não deve – ser realizado de um lado, encontra no outro alguém que faz
o que lhe cabe no convívio mútuo. O Salmo 34, escrito por Davi,
apresenta atividades realizadas tanto por Deus como por seus servos no
relacionamento que mantêm mediante a graça divina.
Pelo lado de
Deus, a primeira das
atividades voltadas aos servos é atender as orações. Ao notar
que o início do salmo o situa depois de uma libertação do escritor em uma
circunstância em que fica clara a atuação de Deus, compreende-se melhor o ponto
em questão. Quando era provável e quase inevitável que Davi morresse nas mãos
dos filisteus, ele diz (v.4): “Busquei o Senhor e ele me atendeu”. Enquanto os
filisteus mantinham uma posição de cautela em relação a Davi, o rei acreditou
realmente, contra as expectativas, que se tratava de um homem louco e poupou-lhe
a vida. Diante do histórico guerreiro e vitorioso do salmista, a credulidade do
rei filisteu ou nos parece tolice, ou nos convence da atuação divina na proteção
do servo. Em outras palavras, a resposta de oração garantiu a vida do salmista
quando o máximo que ele podia fazer era fingir ser doido diante dos
inimigos.
A segunda
atividade é proteger os servos. O v.7, muito conhecido
e pouco compreendido pelos cristãos, diz: “O anjo do Senhor acampa ao redor dos
que o temem”. Não se
trata de “anjos”, mas do próprio Senhor em pessoa protegendo os servos como uma
sentinela que marcha em volta daquilo que está a proteger. A expressão “anjo do
Senhor” frequentemente se refere à pessoa de Deus (Gn 16.10; Ex 3.2).
Ainda que os anjos sirvam, sob as ordens do Senhor, aos homens que temem a Deus
(Sl 91.11; Hb 1.14), o soberano não se tolhe de guardá-los
pessoalmente.
A terceira
atividade é opor-se aos injustos. Boa parte do sofrimento dos
servos de Deus tem como fonte homens que, em sua injustiça, os exploram e
oprimem. Ainda que o julgamento definitivo da maldade venha a ocorrer somente no
final da história terrena, Deus costuma intervir a favor dos seus filhos quando
sofrem diante dos maus. Enquanto protege os seus, o v.16 revela que “a
face do Senhor está contra os que praticam o mal”. O Senhor toma as dores dos servos e se posta contra os
ímpios.
A última é
manter comunhão. Diferente do pensamento agnóstico que postula
que Deus se afastou da criação, Davi afirma que Deus permanece junto aos seus
(v.18): “O Senhor é próximo dos quebrantados de coração”. Tal proximidade é o
que mantém a comunhão entre eles. Deus não apenas se deixa encontrar como se faz
sentir ao redor dos que, arrependidos dos pecados e dependentes da graça e
misericórdia do Senhor, entregam-lhe o coração.
Já, pelo lado
dos servos, a primeira das atividades visando ao bom relacionamento com o
Senhor é louvar a Deus. Em agradecimento a tamanha bondade,
Davi – que havia sido poupado milagrosamente dos inimigos – diz (v.1):
“Com a minha boca continuamente o louvarei”. Ele se propõe não apenas a adorar a Deus, mas fazê-lo
publicamente. Esse é o sentido de dizer que “com a boca” louvaria a Deus. Ele
testemunharia todo o tempo, em dias bons e ruins, que o Senhor é digno de ser
adorado pelos homens que o amam. Essa não é apenas uma atitude dos servos para
com Deus, mas o sentido da sua existência (1Pe 2.9).
A segunda
atividade humana é desfrutar da bondade divina. O v.8
contém uma ordem aos homens: “Provem e vejam que o Senhor é bom”. A palavra hebraica usada por
Davi traduzida por “provar” não é a mesma usada pelo profeta Malaquias em um
texto muito conhecido (Ml 3.10). Enquanto Malaquias propõe um “teste”,
a palavra que Davi utiliza propõe o ato de “experimentar” algo, assim como
“provar” uma comida ou “degustar” um vinho. Desse modo, o servo de Deus se
“deleita” no Senhor aceitando as bênçãos que, pela graça, lhe são oferecidas.
Ele não mendiga um pouco de alegria no meio do pecado. Ele se deleita nas
palavras, na companhia e na bondade do seu Senhor.
A terceira
atividade é a exortação dos irmãos. Como testemunha dos atos
misericordiosos de Deus, Davi age também como transmissor dessa verdade e
doutrinador de outras pessoas. Ele se propõe a fazer o seguinte (v.11):
“Eu ensinarei a vocês o temor do Senhor”. Temer a Deus não é ter medo dele. É certo que o servo de Deus
deve temer, sim, desrespeitar o Senhor e ser por ele disciplinado. Mas o
conceito presente no temor do Senhor é maior que isso. Envolve reverência,
obediência, respeito e adoração. Davi, como homem temente a Deus, exorta seus
conservos a terem a mesma disposição e se oferece para ensiná-los e encorajá-los
nesse sentido.
A última
atividade é a santificação de vida. Lutar contra o pecado e se
deixar dirigir pelo Espírito de Deus é fundamental no convívio diário com o
Senhor. Por isso, o salmista ainda orienta (v.14): “Aparte-se do mal e
faça o bem”. A santificação é um esforço em
dois sentidos. Em primeiro lugar, lutar para abandonar o pecado em forma de
pensamentos, disposições e, obviamente, ações. Significa se empenhar para não
fazer as coisas que ofendem a santidade do Senhor. E, na sequência, manter o
esforço para fazer o que é correto obedecendo as instruções de Deus expostas nas
Escrituras. Nenhum desses aspectos se perfaz sem o outro. Não existe
vitória contra o pecado quando não há obediência; nem há santificação sem
negação pessoal a fim de sujeitar os impulsos pecaminosos. O servo de Deus,
mesmo diante de toda a dificuldade dessa batalha, luta para ser cada dia mais
santo.
Com esse
relacionamento de duas vias em ação, tanto a bondade de Deus como a submissão
voluntária do servo se completam e produzem um clima de amizade, interação e
união. Esse, sim, é um bom relacionamento cheio de bênçãos para os homens e
repleto de honras ao Senhor. Pela graça de Jesus e seu sacrifício da cruz,
podemos ser considerados, agora, por meio da fé, amigos de Deus. E não há nada
mais magnífico que isso na vida de um cristão. Ou você, depois de refletir sobre
tudo isso, ainda acha que é o cão o melhor amigo do homem?
Hoje deixo a canção "Digno é o Cordeiro" na voz de Rachel Novaes, e que assim como na letra possamos viver com a certeza que Jesus é digno de todo louvor, honra e glória, ... e que possamos ser gratos a este sacrifício de amor que nos comprou e nos garante a vitória.
Graciele Teles Lima
Nenhum comentário:
Postar um comentário