domingo, 27 de janeiro de 2013

27/01/2013 - O MEU DESEJO É, ...

Olá turminha, mais um domingo, dia do Senhor!

Nossa leitura bíblica se segue por: Gênesis 35 e 36, Salmos 27 e Lucas 20. 1-26.

E hoje falaremos um pouco em devocional sobre o Salmo 27.
Quando criança, eu tinha um modo muito diferente de me comportar. Nunca me arriscava. Descia pequenos degraus me apoiando nas paredes ou em qualquer anteparo que pudesse me proteger de uma queda. Sempre gostei de interagir com animais, porém, à distância, sem me arriscar a tomar uma mordida ou uma picada. Amava correr e brincar nos mais diversos lugares, desde que não estivesse sozinha. Quando comparo tais atitudes com os acidentes e “artes” comuns às crianças, sempre fico intrigado com a cautela  que tinha, mesmo sem ser ensinada para tal.
Contudo, apesar de ser cuidadosa ao extremo, se estivesse ao lado do meu pai, nunca tinha medo de fazer coisas que dariam medo nas outras crianças. Bastava ele dizer “confie em mim”. Essa era a senha para que eu fizesse qualquer coisa. A impressão que eu tinha é que, no seu colo, nada me amedrontava, não porque me sentisse poderosa, mas protegida. Não sei explicar, mas a confiança que tinha no meu pai era ilimitada.
Davi não era criança, mas parecia compartilhar comigo a confiança inabalável quando estava na presença do pai – não o carnal, mas o Pai celestial. O Salmo 27 não foi escrito em uma situação de paz para o salmista. Como nos salmos precedentes, Davi estava sofrendo por causa da fúria e das tramas dos seus inimigos. Entretanto, o tom que prevalece nesse salmo não é de clamor ou angústia, mas de confiança e ânimo, por incrível que pareça. Todo o salmo se deixa guiar pela disposição demonstrada desde seu início (v.1): “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei?” Segundo Davi (v.2), quando seus inimigos o atacaram, “eles escorregaram e caíram”. Mesmo se a guerra fosse declarada e Jerusalém fosse cercada totalmente, diz Davi (v.3): “Mesmo assim, eu sou confiante”.
Toda essa confiança não anula, contudo, a oração do salmista. Ele ainda tem anseios e continua tendo petições. Mas elas são de surpreender aqueles que, porventura, não têm uma ligação vital com seu Redentor. O maior desejo de Davi, ao ver-se atacado por pessoas perigosas, é o de estar com Deus. Sabendo do que tramam contra ele, conta ao Pai celestial seu anseio (v.4): “Assentar-me todos os dias da minha vida na casa do Senhor”. O contexto sugere que Davi, ao dizer “casa do Senhor”, tem em mente o tabernáculo localizado na cidade de Jerusalém. Entretanto, os pedidos de Davi nos indicam que seu interesse maior não era o local em si, mas a presença de Deus. Ele queria se sentir acolhido pelo Senhor. Os motivos de se assentar diariamente na casa do Senhor são expostos: “A fim de contemplar a beleza do Senhor e para refletir no seu templo”. “Contemplar” e “refletir” implicam a ideia da busca de um relacionamento íntimo com Deus. O salmista quer meditar sobre quem Deus é e sentir-se em comunhão com ele. Quer que sua felicidade venha do fato de ser amado pelo Senhor.
A preocupação primária de Davi – a contemplação do Senhor – é seguida pelo seu anseio por um refúgio seguro. Tal fortaleza, porém, não consiste de muralhas e de portas robustas, mas da proteção divina. Representando, ainda, a presença de Deus pela figura do tabernáculo (v.5), Davi escreve: “Pois ele me esconderá no tabernáculo no dia mau e me guardará no esconderijo da sua tenda”. Davi não almejava se esconder debaixo das cortinas da tenda, mas debaixo do cuidado do Pai. É possível até imaginar uma criança no colo do pai escondendo seu rosto do problema enquanto o pai o protege, consola e o “esconde” de todo perigo.
Essa visão, exposta por Davi, é tão reconfortante que é improvável que os beneficiários de um tratamento tão magnífico não sejam agradecidos à fonte da sua segurança. Se pessoas salvas em incêndios ou em acidentes de carro fazem quase sempre questão de demonstrar sua gratidão aos bombeiros que os resgataram, imagine o desejo de Davi diante da atuação de Deus em seu favor. De maneira quase incontida ele afirma (v.6): “Que eu ofereça, no seu tabernáculo, sacrifícios de alegria; que eu cante e faça músicas ao Senhor”. “Gritos de vitória” é um bom modo de entender o que são os “sacrifícios de alegria” escritos por Davi com a intenção continuar utilizando a figura do tabernáculo para representar sua busca e culto a Deus e, também, a disposição do Senhor de ser encontrado, de proteger e de manter comunhão com o servo.
Quem não gostaria de ter o ímpeto de Davi de servir a Deus e adorá-lo com todas as suas forças? Quem pensa assim, normalmente olha para Davi como um “superservo” e se esquece de que ele, pecador como nós, também era guiado por Deus para que assim agisse. Davi conta (v.8) que do seu íntimo surgia um convite divino que lhe apontava o caminho da presença do Senhor: “A teu respeito diz meu coração: ‘Busque a minha face’”. O ensino do Novo Testamento sobre a atuação do Espírito Santo como guia (Jo 16.13) parece encontrar, nesse texto, a comprovação da ação correspondente no período vétero-testamentário. Em resposta ao convite paternal, Davi responde positivamente: “Buscarei a tua face, ó Senhor”. Como quem vê o pai segurando as mãos frágeis do filho, ensinando-o a andar passinho após passinho, Davi se sente dirigido por Deus.
Os braços do Senhor, na visão do salmista, são tão seguros quanto imutáveis. Não há em Deus apenas poder, mas também constância. Os impulsos, mudanças e desapontamentos que fazem os homens mudarem de atitude uns com os outros não estão presentes na natureza divina. Deus é aquele em quem não há “variação nem sombra de mudança” (Tg 1.17). Por isso, Davi sabe que, ainda que não seja sempre um bom filho, o Senhor nunca o abandonará, nem nas circunstâncias mais extremas. Para expressar essa certeza, ele sugere uma situação realmente extrema que exalta a fidelidade do Senhor (v.10): “Se o meu pai e a minha mãe me desampararem, o Senhor, contudo, me acolherá”.
Como não nos sentir seguros ao nos escondermos em braços paternos tão poderosos, amáveis, constantes e fiéis? Não é sem motivo que Davi esperava ser cuidado pelo Senhor, em quem se refugiava e se escondia do mal. Davi imagina o contrário e não vê esperanças (v.13): “Que seria se eu não tivesse crido que iria ver a bondade do Senhor na terra dos vivos?”. A resposta natural que nós mesmos podemos dar é: “Não haveria esperanças”. Entretanto, a realidade é que ele – e nós, que cremos no Senhor Jesus – temos, ao nosso redor, braços que podem nos tomar como pequenos bebês e nos dar o cuidado necessário. Assim como na minha infância, nós também podemos fazer as coisas mais improváveis para pessoas fracas e falhas. Basta lembrarmos que nosso Pai nos estende as mãos e diz: “Confie em mim”.
 
E depois desta devocional deixo a vocês a música "Abraça-me", na voz de David Quinlan e Heloísa Rosa, que possamos assim como na música reconhecer que não podemos viver longe do Amor de Deus, longe dos seus afagos, dos seus abraços. Pense nisso, ... !
E que Deus abençoe mais esta semana, que possamos ter dias na presença do Senhor e viver somente pra honrá-lo e glorificá-lo.
 
Graciele Teles Lima

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