quarta-feira, 6 de março de 2013

06/03/2013 - ÉS TU, ...???

Bom dia amados, como estão?!?
Semana correndo e nossa leitura cada dia mais avante =)

Leitura de hoje: Levítico 11 e 12, Provérbios 24 e Mateus 11.1-19.

O Israel do Antigo Testamento esperou ansiosamente o Messias – “messias” em hebraico, “cristo” em grego, “escolhido”, “ungido” pelo Espírito de Deus. O Messias, de certo modo, é a personificação de um sonho: tudo quanto Israel esperava e desejava de bom, de bênção de paz, estava condensado nessa palavra e nesse personagem: aquele que Deus haveria de enviar. Efetivamente, o Deus de Israel havia prometido enviar este Escolhido, portador da bênção de uma aliança nova e definitiva entre Deus e o seu povo, em benefício de toda a humanidade. E Israel esperou esse Messias... Cada seita judaica foi formando sua idéia sobre como seria o tal Messias; cada um tinha uma idéia própria sobre a missão que tal Enviado deveria realizar. As expectativas eram várias! Para os fariseus, ele seria um estrito cumpridor da Lei de Moisés e viria ensinar Israel é observar a Lei rigorosamente, rejeitando os relaxados, a gentalha que não sabia nada da Lei e era maldita. Para os saduceus, o Messias seria um sacerdote que viria para confirmar o culto e a religião de Israel, trazendo bênção e riqueza para o povo. Para os zelotes, o Esperado seria um libertador político-militar: faria a guerra contra os romanos e Herodes e restauraria a independência política de Israel, espalhando o Reino de Deus para todos os povos através do domínio israelita. Para os essênios, seita de monges judeus, haveria dois messias: um sacerdote e um rei. Ambos puros, separados do povão, prontos a amaldiçoar os pecadores e recriar um Israel puro e santo. Para João Batista, o Messias seria santo, justo e justiceiro: viria com o Espírito de Deus, pronto para julgar e cortar a árvore que não desse fruto. Em geral, todos esperavam um Messias glorioso, forte, vingador de Deus, triunfante e imbatível. Com ele, a justiça de Deus prevaleceria e a vontade de Deus seria imposta na terra.
Pois bem, ante todas essas expectativas, veio Jesus, surpresa de Deus: um Messias pobre, manso, humilde, cheio de compaixão, que veio realizar sua missão não impondo, mas propondo e, por outro lado, exigente, radical, pedindo de seus discípulos um amor exclusivo e total a ele, uma conversão radical ao Reino de Deus: Reino de piedade, de justiça, de amor, de verdade e de paz. Um Messias, Jesus, que não realizaria sua missão pelo sucesso, mas pelo fracasso da cruz, não pela glória, mas pela ignomínia, não pela força, mas pela fraqueza, não pela riqueza, mas pela pobreza... Por isso, a pergunta angustiada de João: “Naquele tempo, João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras de Cristo, enviou-lhe alguns discípulos, para lhe perguntarem: ‘És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro?”’ (Mt 11,2s). Notemos bem: Jesus é um Messias que não correspondia às expectativas dos vários grupos de Israel! Diante dele, até João Batista entra em crise: “Será mesmo que este é o Messias? Tão diferente daquele tipo que eu esperava!” Qual a resposta de Jesus? “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos ao curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!” (Mt 11,4-6). Em outras palavras, Jesus manda dizer a João que ele é o Messias: nele, os desiludidos e perdidos da vida reencontram a dignidade e a esperança de viver; nele, as feridas tão profundas do doente coração humano são curadas! Mas, tem mais: feliz aquele que não se escandalizar dele! Feliz aquele que não manipular o Messias, mas aceitá-lo como ele é: com toda sua pobreza, com toda sua seriedade, com toda sua doçura, com toda sua exigência, com toda sua fraqueza, com toda a força da sua radicalidade e da sua verdade!
Agora, nós! ELembrem-se como comemoramos o Natal, festa da vinda do Messias... Também nosso mundo tem manipulado vergonhosamente a idéia do Messias. Transformamos o Natal numa festa de vento, de nada. Tornamos o Messias um pateta qualquer, que não exige nada, não converte ninguém, não significa nada! O mundo quer fazer passar a idéia de um Jesus bonzinho, que dá para conviver com qualquer crença, com qualquer vício, com qualquer modo de viver... O Messias que o mundo celebra não existe, não é o Cristo de Deus, não é Aquele que se apresenta como Caminho, Verdade e Vida. Nas nossas ruas, colocaram um anúncio de loja de moda que revela bem isso: deseja-se, no anúncio, um Natal de paz, com um angu de religiões: lá estão Iemanjá, escritos muçulmanos, símbolos judeus, elementos das religiões orientais, objetos do esoterismo e um pobre Coração de Jesus e uma imagem da Virgem Maria... E chamam a esse sincretismo miserável de "PAZ"... Não é essa a paz do Natal! Não é nessa paz que os cristãos acreditam! O mundo neo-pagão roubou o nosso Natal! Fica a iluminação na cidade, ficam os ornamentos nas casas, ficam as bebidas, os presentes, os amigos secretos, os brindes e augúrios... mas não ficou o Evangelho, não ficou Jesus Cristo, Aquele que é Deus bendito, feito homem para elevar o humano, feito mundo para redimir o mundo! Não ficou Aquele que veio do Pai para nos levar ao Pai; não ficou Aquele que é a única Verdade, o único Caminho, a única Vida! Desse, o mundo não quer saber! Mais uma vez se cumprem as palavras da Escritura: “Veio para o que era seu e os seus não o receberam!” (Jo 1,11).
Para os cristãos, o Natal é a festa da paz, porque nasceu a verdadeira Paz; nasceu Aquele que, com sua vida, paixão, morte e ressurreição, lavou o pecado do mundo. Para nós, cristãos, o Natal tem tudo a ver com ternura, beleza e doçura porque o Deus grande e forte fez-se pequeno e frágil, porque em Jesus manifestou-se toda a bondade, toda a doçura, toda a benignidade do nossos Deus!
Não queremos mal aos não-cristãos, não desprezamos as outras religiões nem seus adeptos. Mas, com humilde sinceridade, cremos em Jesus Cristo, cremos que ele é o único caminho de acesso a Deus; cremos que, porque ele morreu por todos, todos – até os não crentes, até os de outras religiões -, podem, por ele, chegar ao Pai. Só não gostamos do cinismo do mundo, que quer celebrar o nosso Natal como a festança do consumismo, do vício e de uma paz sincretista, que de Cristo não tem nada. Fora disso, a todos os que crêem no Cristo e a todos os seres humanos de boa vontade, desejamos a paz do Senhor, que supera toda nossa expectativa e enche o nosso coração!
 
Graciele Teles Lima

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