Hoje enfim o dia da semana que mais amo, domingo, Dia do Senhor, ... em especial estou bem eufórica com a Escola Bíblica Dominical da minha igreja, pois temos tido um privilégio de contar com excelentes salas, temas e professores, no meu caso escolhi pela sala de discipulado, pois vejo em mim a necessidade de aprender a mostrar de maneira eficiente a Palavra de Deus ao próximo, além de ser um aprendizado muito rico, ... quem quiser pode me contar depois como funcionam as aulas dominicais em suas igrejas, eu ficaria feliz em conhecer mais.
Papo está muito bom, mas vamos a leitura bíblica diária: Êxodos 3 e 4, Salmos 41 e Hebreus 7
Hoje nossa devocional abordará o Salmos 41 e falaremos um pouco sobre relacionamentos descartáveis na atualidade. Vamos lá?!?
Todos aqueles que já
assistiram a filmes de guerra, de um modo ou de outro passaram a admirar os
soldados. Não porque alguns filmes retratam certos guerreiros que, sozinhos,
conseguem vencer todo um exército. Não! Refiro-me à admiração que cultivamos por
eles quando, pelos filmes, vislumbramos o comprometimento dos soldados diante
dos horrores da guerra. Nesse sentido, algo encorajador é ver como os soldados
se importam uns com os outros e têm a meta de nunca deixar ninguém para trás.
Mesmo feridos, aqueles que foram alvejados no campo de batalha são o alvo do
esforço de todos os companheiros que se arriscam para resgatá-los e levá-los bem
para casa.
Cenas como essas,
ao mesmo tempo que nos encorajam, nos chamam a atenção para o fato de que nem
sempre é assim fora dos conflitos militares. No dia a dia, notamos pessoas que,
mesmo sem ferimentos de guerra, têm limitações que as impede de produzir tudo
que queriam ou deveriam. Nesse momento, quando elas necessitam de ajuda, é comum
as vermos relegadas ao segundo plano. Exemplos disso são pessoas idosas e
doentes. Ainda que tenham sido muito queridas e solicitadas no passado, ao
chegarem a uma situação debilitante, pouca gente as procura ou tem paciência de
estar ao seu lado. Certamente, em momentos como esse é que se conhecem os
verdadeiros amigos.
O fato é que,
quando debilitados, recebemos um tratamento diferente por parte das pessoas. O
Salmo 41 é um relato do tratamento que o rei Davi recebeu quando esteve
à beira da morte. Apesar de não haver um título no salmo que dê com precisão o
contexto em que foi escrito – assim como nos salmos 3, 34 ou
51 – em seu corpo é possível notar algumas características da situação
vivida pelo salmista. Ele estava doente, de cama (vv.3,8), e correndo
risco de morte (v.5). Talvez, o último versículo do salmo indique que a
situação já tinha passado, mas, ainda que seja assim, Davi faz uma análise de
como se comportaram os homens diante da sua debilidade e, também, como agiu o
Senhor a quem ele servia. Tal análise nos fornece três contrastes entre
o tratamento humano e o divino quando estamos debilitados.
O primeiro
contraste está no campo da valorização da vida
daquele que está perecendo. Ainda que tal regra não valha para os amigos de
verdade – esses são poucos –, os homens tendem a desvalorizar a vida de quem não
tem mais as mesmas capacidades que antes, nem pode contribuir da mesma forma.
Por causa disso, não se importam se a pessoa vive ou morre. E quando morre,
parece que a perda é apenas motivo de conversas vãs. O v.5 indica que
quem está perecendo é descartado pelos homens ao redor: “Os meus inimigos dizem
coisas ruins a meu respeito: ‘Quando ele morrerá e perecerá o seu nome?’”. Com essas palavras, tais homens demonstram não ver
qualquer valor no debilitado, além da ausência do sentimento de perda ao vê-lo
partir.
Por outro lado,
Deus age de modo contrário. Não abandona o que está fraco, mas, vendo o valor
que possui – não em si mesmo, mas como alvo do amor divino – age em seu favor.
Nesse sentido (v.2), “o Senhor o guarda e lhe mantém a vida” . Entretanto, Deus
não quer que o servo apenas tenha seu coração batendo e seus pulmões respirando.
Ele tem para aquele a quem ama mais do que a simples sobrevivência. Quer lhe dar
uma vida completa e, por isso, “o faz feliz na Terra”. É certo que todos nós partiremos
desse mundo e Deus, que ama os filhos, os toma para si por meio da morte.
Contudo, quando não é chegada a hora de tal encontro, Deus não desvaloriza o
servo pela suas debilidades. Para Deus, os homens que o buscam nunca são
descartáveis. Por isso os preserva e lhes dá consolo e alegria apesar das
circunstâncias contrárias.
O segundo
contraste se dá na veracidade do relacionamento. A incapacidade
de alguém pode criar nas pessoas ao redor um relacionamento puramente
superficial e não genuíno. Davi recebeu muitas visitas em seu leito de dor. Nem
todas foram expressões autênticas do que sentiam as pessoas que o visitavam. Diz
o salmista (v.6): “Se alguém entra para me ver, diz coisas fingidas”.
Essa descrição me lembra de conversas quando não se tem assunto, nem há
interesse pelas pessoas com quem se fala. Trata-se daquela conversa sobre
“nada”, mais para se desincumbir do dever de visitar o doente que para saber
como ele está e como pode ser ajudado de verdade. Entretanto, quando a visita
acaba, o coração expõe as verdadeiras intenções: “No coração ele ajunta
perversidades para si; quando sai, ele fala mal de mim”. É o retrato da falsidade posta em
prática.
O Senhor, por sua
vez, não apenas age do modo oposto como intervém na maldade dos falsos
companheiros (v.2): “Tu não o entregas ao desejo dos seus inimigos”. Enquanto os homens usam de falsidade, Deus confirma
sua fidelidade no relacionamento com aqueles que lhe pertencem. Por isso, não
abandona o servo. Por isso, continua protegendo-o daqueles que lhe querem fazer
mal. Se as circunstâncias mudaram, o amor de Deus não muda. Ele permanece sempre
o mesmo.
O terceiro
contraste se pode ver na manutenção da amizade. Davi, como rei,
ajudava muita gente a quem mostrava seu favor. Sustentava muitos, recebia-os em
seu palácio, separava-lhes lugar à sua mesa. Como não poderia deixar de ser,
muitos desses não frequentavam a mesa do rei por simples amizade, mas por
interesse, quer financeiro, quer político. Para obter seus intentos, estendiam
ao rei seus braços de amizade. Contudo, diante da virada da situação, deixaram
de ter interesse na manutenção dessa “amizade”. Por isso, Davi se queixa
(v.9): “Também o meu amigo em quem eu confiava, aquele que comia o meu
pão, levantou o calcanhar contra mim”. A expressão “levantar o
calcanhar” produz a ideia de uma traição, pelo que é aplicada a Judas que, sendo
“amigo” de Jesus, mudou de atitude e o entregou aos adversários (Jo
13.18). Talvez uma boa tradução, com outra expressão figurada, para
“levantar o calcanhar”, seja “passar uma rasteira”. Os antigos “amigos”, diante
da debilidade do salmista, lhe “passaram uma rasteira”, mostrando a fragilidade
da sua relação.
O Senhor não é um
amigo desse tipo, nem permanece ao lado dos servos apenas quando seus interesses
são beneficiados. Ele permanece mesmo nos piores momentos, mostrando-se um amigo
verdadeiro. Por isso, diz o texto (v.3): “O Senhor o sustenta sobre o
leito de doença”. Ou seja,
quando uma doença abate o servo de Deus a ponto de ele ficar acamado, sofrendo e
incerto de seu futuro, o Senhor não o abandona. Na verdade, faz de modo exímio o
que fazem os amigos que se assentam ao lado do doente para ajudá-lo a atravessar
aquele duro momento, dividindo um pouco da dor e da tristeza. Essa ação de
consolo, prova da verdadeira amizade, ajuda o abatido a transpor a dor com
coragem, sentido um grande alívio, como se o leito fosse mais confortável do que
é, visto que está escrito: “Na sua doença transforma toda a sua cama”. A ideia parece ser a de
alguém que remexe o leito a fim de não se tornar duro e desconfortável.
Resumindo, o Senhor faz com que as agruras de uma situação como a de Davi seja
atravessada com mais conforto, consolo e coragem. É, de fato, a atitude de um
verdadeiro amigo.
Esse salmo é uma
lição para nós. Em primeiro lugar, nos ajuda a diferenciar os verdadeiros amigos
daqueles que assim falsamente se dizem. Em segundo lugar, nos ensina o quanto é
incerta a confiança que temos nas pessoas. Finalmente, o quanto precisamos
cultivar nosso relacionamento com Deus, o verdadeiro amigo. Tais momentos de
luta e de dor, além de nos revelar a verdade sobre as pessoas ao redor, devem
nos lançar de tal modo nos braços do Senhor que jamais desejemos nos afastar
dele. No final das contas, está mais do que comprovada a veracidade do texto que
diz que “na angústia se faz o irmão” (Pv 17.17). Principalmente, se
esse for o Deus eterno.
Graciele Teles Lima
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