Hoje leremos os trechos de: Gênesis 46.28-34 e 47, Salmos 37 e Hebreus 2.
Ao fazer a leitura do Salmo de hoje, me recordei de uma apresentação do "One Time Blind", então hoje ao invés de finalizar a devocional com uma canção, lhes apresentarei agora mesmo a peça, espero que gostem e entendam, ... boa devocional a todos. E excelente quarta.
"More Coke"
Havia um
homem, em Nova
Jersey (EUA), que morava ao lado de uma rodovia. Todos os dias ele via milhares
de carros passarem diante da sua porta. Imagino que fosse uma casa muito
barulhenta. Certo dia, esse homem, olhando pela janela, notou o surgimento de um
pequeno buraco no asfalto da rodovia. Imediatamente, ele se propôs a deixar o
conforto do seu lar e tampar aquele buraco. O interessante foi o que ele disse
após fazer esse pequeno, mas importante gesto: “Me custou apenas um minuto. E
eu, provavelmente, economizei centenas de dólares de motoristas que passam por
aqui. Isso precisava ser feito e eu não estava ocupado”. Que lição inspiradora
sobre responsabilidade pessoal, abnegação e consideração pelos
outros!
Há mais uma
importante lição nessa história que não tem relação direta com o benfeitor, mas
com o buraco em si. Não houve maiores danos aos motoristas e aos seus veículos
porque o buraco foi fechado a tempo. Entretanto, aquela pequena e, até então,
inofensiva brecha no asfalto, certamente continuaria a crescer e faria o que o
homem de Nova Jersey previu e evitou. Pequenas brechas, quando não reparadas,
sempre crescem e causam danos. Sempre!
Um campo fértil
para problemas desse tipo é o coração do homem. E, talvez, nenhuma outra brecha
cresça mais que os sentimentos ruins e pecaminosos. É provável que nenhum outro
problema cause mais sofrimentos e conflitos que corações magoados, enraivecidos
e cobiçosos. Davi percebeu algumas brechas nos corações dos servos de Deus e
ensinou, no Salmo 37, a importância de evitar que cresçam. Podemos
identificar, nesse salmo, pelo menos cinco sentimentos que os justos
devem evitar.
O primeiro é a
inveja. O contexto do salmo coloca os servos de Deus, pessoas a
quem Davi se dirige, diante de ímpios que, em lugar de sofrerem o castigo de
Deus por sua maldade, estavam prosperando com ela. Os justos, por sua vez, não
viam dias tão bons, nem desfrutavam de uma alegria como “aparentemente”
desfrutavam os ímpios. Essa situação revoltante fazia com que os justos os
invejassem, pelo que Davi lhes diz (v.1): “Não sinta inveja daqueles
que praticam a injustiça”. Podemos até entender tal sentimento. Não é fácil lutar contra as
dificuldades da vida para ser uma boa pessoa e suprir sua família, enquanto se
vêm homens desonestos prosperando com a maldade. É certo que, um dia, todos os
injustos serão punidos pelo mal que cometeram (v.6). Mas, por hora, o
pesar recai sobre o justo que os vê, incólumes, praticar o mal. Por um lado há o
sentimento de revolta; por outro, a inveja e o desejo de também prosperar
seguindo os mesmo expedientes. Tal sentimento, ao crescer no coração do justo,
traz a ele corrupção e desvio. A receita de Davi para evitar esse mal é confiar
no Senhor (vv.3a,5): “Confie no Senhor e faça o bem [...] Entregue ao
Senhor o teu caminho e confie nele, pois ele agirá”.
O segundo é a
ira. Davi aconselha os justos (v.7) da seguinte
maneira: “Não se exaspere por causa daquele que faz prosperar o seu caminho, o
homem que costuma fazer ardis”. Apesar de o conselho ser claro, Davi não
se contentou apenas com ele. Tudo indica que a ira no coração dos justos, ao ver
os ardis bem sucedidos dos ímpios, os fazia arder sobremaneira. Portanto, Davi
repete o ensino de maneira mais séria e grave (v.8): “Abandone a ira;
deixe a indignação”. A preocupação primária
de Davi não é diretamente com os injustos ou com o que os justos possam, em sua
ira, fazer a eles. Davi olha para os servos de Deus e teme pelo que a ira pode
lhes causar, já que completa: “Certamente, isso serve para causar danos”. Como remédio a esse sentimento crescente e
destrutivo, o salmista oferece a esperança futura para os que agem da forma
oposta (v.11): “Mas os mansos herdarão a terra e desfrutarão de fartura
de paz”. Tal esperança é tão viva que Jesus a incentivou no sermão do monte
(Mt 5.5).
O terceiro
sentimento a ser evitado é a ganância. O salmista deixa
transparecer o receio de ver seus irmãos imersos nesse sentimento ao graduar o
valor das riquezas usando a escala da justiça e da honestidade (v.16):
“Bom é o pouco para o justo mais que a riqueza de muitos ímpios”.
Certamente seus leitores não invejavam apenas os lucros das ações corrompidas,
mas as riquezas que tais ações acumulavam. Por outro lado, é possível que
tivesse surgido neles uma grande insatisfação com suas posses humildes, sem
falar na ingratidão a Deus pelo suprimento diário. Dá para entender a
preocupação do salmista. Para sanar esse tão grave desvio do coração, Davi
oferece uma certeza mais que confortante: o cuidado que o Senhor tem pelos seus
servos. Diz ele, no v.19: “Não serão envergonhados em tempos de
calamidade, mas se saciarão nos dias de fome”. Não importa se o servo de Deus não
tem os recursos financeiros que garantem sua paz, pois Deus, que é o dono de
tudo, supre a necessidade dos seus filhos. A esperança nos bens é passageira e
inexata, enquanto, conforme revela o salmista, a esperança em Deus é segura e
fundamentada em um amor que nunca passa.
O quarto é o
egoísmo. A ganância nem sempre é egoísta, mas o egoísmo sempre
é ganancioso. Por isso, diz o salmista (v.21), “o ímpio toma emprestado
e não restitui”. A
ganância do ímpio não deixa que ele se incomode com o fato de prejudicar o
outro. Nesse ponto, seu egoísmo se revela: ele tem lucro sobre o prejuízo
alheio, como se somente o seu bem-estar e os seus interesses importassem. Esse é
um sentimento contra o qual o servo de Deus deve lutar o tempo todo, já que,
depois do pecado, o homem desenvolveu naturalmente uma disposição egoísta. O
objetivo do crente deve ser agir de forma contrária: “O justo, contudo, tem
compaixão e dá” . É
impressionante a diferença! Em lugar de usurpar, como fazem os ímpios, o justo
dá sem esperar ser restituído. É o contrário do sentimento egoísta. Note bem:
não se trata de esbanjar, mas de auxiliar amorosamente. É um sentimento que faz
jus ao ensino de Paulo em Romanos 13.8: “A ninguém fiqueis
devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros”.
Para encorajar tal atitude, Davi lembra que, apesar da frequente escassez
de posses nessa vida, os servos de Deus serão possuidores de uma herança
inigualável no futuro (v.22): “Pois aqueles que são abençoados [pelo
Senhor] herdarão a terra”.
Por fim, o quinto
sentimento a ser evitado é a malícia. Como importante
orientação, Davi ordena (v.27): “Afaste-se do mal e faça o que é bom”. Trata-se das ações malignas cujas motivações
são da mesma natureza. É um sentimento malicioso o responsável pelas más ações.
Por isso, o salmista oferece, em lugar da maldade, as boas ações como padrão de
vida para o servo de Deus. É um movimento duplo: se afastar do mal e se apegar
ao bem. O apóstolo Paulo ensinou o mesmo aos efésios: “No sentido de que,
quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo
as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento,
e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão
procedentes da verdade” (Ef 4.22-24). Entretanto, devemos nos lembrar
que essa batalha deve ser travada, em primeiro lugar, no coração, já que Jesus
afirmou que é dele que vêm as ações que contaminam o homem: “Porque do
coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos,
falsos testemunhos, blasfêmias” (Mt 15.19). Por isso, o remédio
que Davi oferece para impedir que a malícia cresça no coração dos filhos de Deus
é a transformação que ele sofreu na sua conversão e a adoção da Palavra do
Senhor onde antes só havia malícia e corrupção (v.31): “Ele tem,
no seu coração, a instrução do seu Deus”.
Inveja, ira,
ganância, egoísmo e malícia são sentimentos que têm muito em comum. Eles
acometem os servos do Senhor, causam destruição e crescem se não forem impedidos
a tempo. Isso faz com que seja primordial tanto a atenção a eles como a decisão
de abandoná-los e vencê-los. Muitas vidas santas se deterioraram na história da
igreja de Cristo por descuido e autoconfiança em relação ao combate a esses
males. Em um aspecto, são muito parecidos com aquele buraco na rodovia da Nova
Jersey: eles crescem se ninguém os combater. Por outro lado, diferem daquele
buraco em relação à gravidade, pois não há dólares suficientes em termos de
prejuízo que tornem qualquer buraco mais destrutivo que os sentimentos
pecaminosos florescendo no coração do justo. Tampe esses buracos a fim de ter
uma viagem feliz e segura, sendo guiado e protegido pelo do nosso Senhor.
Graciele Teles Lima
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