Pessoal, hoje a nossa leitura bíblica se segue em: Gênesis 31, Salmos 24 e Lucas 18. 18-43.
Há muito
tempo não existem
bons programas humorísticos na televisão como havia em meus tempos de criança.
Hoje, os programas são apelativos e imorais, além de deixarem o humor
completamente de fora. Para sanar esse vácuo, gosto de assistir àqueles
concursos musicais em sua fase inicial. Diferente das fases seguintes, qualquer
pessoa pode participar, tendo ela muita, pouca ou absolutamente nenhuma noção de
música. Nesse aspecto, o programa passa a ser muito engraçado devido a
apresentações emblemáticas de participantes que nunca serão cantores na
vida.
O interessante é
que muita gente vai lá, munida de extremo bom humor, somente para fazer
apresentações estranhas e rir depois com os amigos. É aquela história dos
“quinze minutos de fama”. Contudo, o que me deixa espantado são as reações de
alguns candidatos que, após apresentações “horríveis”, ficam surpresos ao serem
rejeitados pelos jurados. Alguns reclamam, choram, dizem não saber o motivo da
reprovação e atacam os jurados como se fossem pessoas injustas ou como se
desconhecessem a boa música. Nisso, o que me choca é o fato de tais candidatos
realmente se acharem no direito de serem aprovados, apesar da total
ausência de senso e de talento musical.
Infelizmente,
esse não é o único campo em que falta noção aos homens. Muita gente, longe dos
palcos musicais, se acha no direito de ter acesso a Deus sem antes ser tratada
pela sua graça e pela sua Palavra. Quase todos já ouviram pessoas
defendendo seu direito ao céu por serem pessoas boas – as obras são as bases
desse tipo de defesa e não a graça de Deus. Para esses, o fato de nunca terem
matado ou roubado ninguém lhes dá livre acesso à presença de Deus. Outros
defendem o mesmo direito com base na suposta disposição de Deus de dar um
“jeitinho” para que ninguém seja rejeitado. Alguns até dizem que “Deus é
brasileiro”.
Nenhuma afirmação
está mais distante da verdade. O Salmo 24, escrito por Davi, oferece
alguns parâmetros para reconhecer aqueles que terão acesso a Deus enquanto
outros serão rejeitados. Uma pergunta chave levantada pelo salmo é
(v.3): “Quem subirá ao monte do Senhor e quem permanecerá no seu lugar
santo?” A
pergunta vislumbra a cidade de Jerusalém – onde está o Monte Sião – (“monte do
Senhor”) e o tabernáculo construído por Davi (“seu lugar santo”) ao trazer de
volta a arca do seu exílio, primeiro entre os filisteus e, depois, em
Quiriate-Jearim (2Sm 6 cf. 1Sm 6.21). Entretanto, é bem
provável que o salmista tivesse em mente menos a geografia que o contato do
adorador com seu Senhor. Desse modo, a pergunta não é sobre quem pode chegar a
Jerusalém, mas sobre quem pode permanecer na presença de Deus. Segundo se
depreende do salmo, aqueles que se relacionam com Deus e estarão para sempre com
ele têm pelo menos três características inegociáveis.
A primeira é que
são conscientes da supremacia divina (vv.1,2). O
salmista inicia seu cântico dizendo (v.1): “Do Senhor é a terra e tudo
o que existe nela". O Senhor,
como Criador do universo, é também o proprietário da criação. Isso lhe confere
um posto singular, não apenas como Deus no sentido religioso, mas também como o
Senhor de tudo que envolve o dia a dia da criação, pois tudo é dele. Antes que
alguém pense que isso tem a ver apenas com a natureza e não com a humanidade,
Davi completa: “O mundo e seus habitantes”. Assim, não há quem não esteja sob o
domínio e a soberania do Senhor, de modo que possa, Deus, dispor de tudo e de
todos como bem lhe parecer (Rm 9.20,21, Ef 1.5). O verdadeiro adorador
do Senhor sabe dessa supremacia sobre tudo e se submete, não compulsoriamente,
mas de coração como fazem os servos. Ele se deixa guiar por aquele que, por
direito, o possui. Trata-se de alguém que é, em tudo, influenciado por Deus e
que lhe tem como Senhor, de fato, nos mínimos detalhes da sua vida.
A segunda é serem
santificados pelo Senhor (vv.3-6). A santificação –
separação gradual e progressiva dos pecados e da mentalidade mundana – é um
fator presente na vida dos que permanecerão diante do Senhor (Hb
12.14). Apesar de a Bíblia demonstrar que as obras não podem
salvar o homem (Rm 3.20; Ef 2.9) e que a purificação do crente vem
mediante a atuação de Deus (Jo 17.17), o salmista olha para a
demonstração externa da santificação como uma evidência da efetiva preparação
para levar o servo ao seu Senhor. Diz ele (v.4), respondendo à pergunta
do v.3: “O de mãos puras e de coração limpo”. Isso significa que a santificação daqueles que são
alvo dessa graça divina muda suas ações – “mãos puras” – e, também, suas
intenções – “coração limpo”. Além disso, o que Deus inicia na justificação
completará na glorificação (Rm 8.30), pois, conforme declara o salmista
(v.5), “esse levará consigo a bênção do Senhor e a justiça do Deus da
sua salvação”. Portanto, o que Deus iniciou nesta
vida será também realidade no futuro dos servos santificados pelo seu
Senhor.
A terceira
característica é que eles são súditos do Rei da glória
(vv.7-10). O v.7 anuncia, de um modo peculiar que transmite a
ideia de um acontecimento glorioso, a vinda de quem ele chama de “o Rei da
glória". Trata-se de uma menção ao Messias que vem
para reinar; aquele que, segundo o v.8, é “o Senhor valoroso e
poderoso; o Senhor poderoso de guerra”. O Deus dos exércitos
(Sl 59.5) é aquele que irá reinar, a quem Davi aguarda. O salmista e
todos aqueles que são servos desse supremo Senhor agem, portanto, como seus
súditos. Isso significa honrá-lo como governante máximo, respeitando e
reverenciando seu nome, e, também, dando a ele o melhor de tudo. Não dá para ser
súdito desse rei honrando-o apenas com o que sobra. Ele tem prioridade na vida
dos seus vassalos. O melhor do seu tempo, da sua força, dos seus esforços e do
seu amor deve ser empregado a serviço do Rei dos reis.
Tais são as
características daqueles que, respondendo à pergunta do v.3, “subirão
ao monte do Senhor e permanecerão no seu lugar santo”. A presença de Deus não
está aberta a qualquer um que queira, mas àqueles que sabem quem Deus é – e
creem nele assim como se revelou –, que são santificados pela fé nele e que são
súditos fiéis do maravilhoso Rei. Por isso, decreta o escritor do salmo
(v.6): “Este é o que o busca, aquele que procura a presença do Deus de
Jacó”.
O Salmo
24 é muito bom para avaliarmos o tipo de relacionamento que temos com Deus
e, principalmente, se estamos entre aqueles que comparecerão e permanecerão na
presença de Deus com todos os benefícios de se estar lá. Aqueles que podem
responder positivamente ao questionamento do salmista devem, cada vez mais,
aprimorar as características descritas no salmo. Contudo, aqueles de cuja
resposta se tem um “não”, devem, imediatamente, se submeter pela fé ao “Rei da
glória” pedindo perdão por seus pecados e entregando a ele suas vidas. Caso
contrário, serão como aqueles “cantores de chuveiro” que, achando que merecem
ser ídolos, reclamarão pelo resto da sua existência que foram injustiçados por
alguém que não entende de música.
Hoje deixo a canção "Rei da Glória" na voz de Aline Barros, linda quinta e bom feriadão pra quem for viajar!
Graciele Teles Lima
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