Hoje nossa leitura anual se desenvolve nos trechos de: Gênesis 27.1-45, Salmos 20 e Lucas 15.
E nossa devocional vai falar sobre passagem de Lucas, em especial a parábola do Filho Pródigo, mas por uma análise diferente.
Conta-se a história de um homem que tinha dois filhos, o mais moço talvez cansado de servir ao pai, ou mesmo na ânsia de conhecer o mundo diz: "Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda." - Lucas 15:12, passados uns dias ele ajunta tudo e deixa a casa do Pai e como muitos nos dias de hoje que não sabem administrar seus bens ele vai e gasta tudo, a Bíblia não nos diz em que, apenas que foi dissolutamente (ou seja, irresponsavelmente, desregradamente, desenfreadamente).
A Bíblia então diz que depois que tudo foi consumido pelo jovem, o país caiu em miséria, e aquele filho que antes tinha tudo do bom e do melhor agora está em desgraça e chega ao nível de desejar se alimentar dos restos de comidas de porcos, porém nem isso lhe era servido, ele se recorda da maneira como os servos do seu pai eram tratados e resolve que irá voltar para casa, já humilhado por tudo que a sua irresponsabilidade o causou, ele decide que pedirá perdão ao pai e que não quer ser tratado como filho, quer apenas ser servo, trabalhador, pois ele nada merece.
E a Bíblia no versículo 20 diz que ele levantou-se e foi, e diz mais, "e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.", talvez o jovem imaginava em seu íntimo que o pai o escurraçaria, que não o aceitaria, mas o quão grande é o amor deste homem, que ao ver seu filho voltar-se ao lar, corre até ele e o toma em seus braços, ... lembrem que este filho devia estar sujo, mal cheiroso, afinal ele não tinha mais nada para viver decentemente, mas o pai não ligou nem um pouco para esses detalhes.
O jovem pede perdão, diz que não é merecedor, mas que gostaria de servir ao pai, e este mais uma vez, não parece nem ligar para os erros do jovem, pois chama os servos, pede que troquem suas vestes, dêem-lhe um anel, calçem-no, pede que naquele mesmo momento seja preparado uma grande festa, pois o filho perdido foi achado, ... estava morto e agora estava vivo.
E é a partir daqui que farei a minha análise, pois muitas vezes é aqui que a história termina, os olhos muitas vezes ficam voltados apenas para um filho aceito e muita festa, mas percebam o que ocorre durante o festejo:
"E o seu filho mais velho estava no campo; e quando veio, e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças. E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo. E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo. Mas ele se indignou, e não queria entrar. E saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos; Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado." Lucas 15:25-30
Existia um filho que enquanto o mais moço tomou o dinheiro e foi embora, sofreu a dor do pai, teve de aumentar seu nível de trabalho, pois o irmão havia partido e o trabalho aumentado, nunca reclamou, sempre foi obediente, sempre justo, correto. E o pai, o que fez por ele??? Simplesmente ele nunca deu sequer uma festa, nunca o agradeceu, e o filho mais velho ao voltar de um possível dia longo no campo se depara com uma festa, pois o perdido se havia achado?!?
Você já refletiu nesse contexto, não acha injusto com o mais velho o que o caçula estava recebendo, e a maneira como era tratado, você já se sentiu assim?!?
Vejam essa continuação do trecho bíblico:
"E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas; Mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se." - Lucas 15:31-32
Sabe, ao analisar esse trecho final o nosso último pensamento de que o mais velho era injustiçado cai por terra, afinal, o que parece estar em jogo não é o amor do pai pelo filho, mas sim o fato de que a herança seria mais uma vez dividida entre ambos, me parece que o irmão servia ao pai com o intuito único de que o seu retorno fosse maior, em nenhum momento transparece que ele amava o pai e que se preocupava com ele, queria apenas ser reconhecido pelo que fazia. Conseguem enxergar isso? O pai deixa claro que tudo que havia naquela casa pertencia ao filho, pois ele sempre estava lá.
A parábola termina com as palavras do pai dizendo ser justo festejar, não nos diz se o mais velho se arrepende e entra pra festejar, se a partir daí se trava uma disputa maior familiar, ... enfim, porque eu estou dizendo isto?!?
Vamos trazer a situação para a nossa realidade, nossas vidas, nossas igrejas. Quantas vezes um irmão não olha para a vida dos outros e diz, mas Deus, como ele pode ter sido tão injusto a vida inteira e estar sendo tão abençoado, eu continuo aqui, passando por lutas, dificuldades e o Senhor não vê isso?!?
Se viu neste comentário??? Pois é, não acredito que a parábola trata do orgulho, raiva e sentimento de injustiça do mais velho apenas por tratar, Deus quer que analisemos todo o seu contexto, e sim, se o seu irmão que vivia em dissolução se arrependeu, se converteu, se existe mudança de vida, essa mudança tem de ser festejada. Entre na casa do Pai e comemore, pois o teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. Pense nisso!
Hoje ao invés de deixar uma canção deixo a vocês uma peça do Marcos Botelho chamada "PERDIDA", confesso que não consigo ver essa encenação sem lágrimas nos olhos, pois se trata da vida de cada um de nós.
Domingo abençoado a todos e que esta mensagem venha de encontro aos corações perdidos.
Abraços,
Graciele Teles Lima
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